REESTRUTURAÇÃO DE DÍVIDAS

Seja por consequência de uma crise econômica, mudanças na dinâmica de demanda e preços de um segmento, por um evento extraordinário de desencaixe financeiro, ou, por vezes, de uma falha de administração, muitas empresas acabam atravessando dificuldades financeiras, vendo-se impossibilitadas de honrar o pagamento de suas dívidas e tendo de renegociá-las, objetivando com isso reequilibrar seus caixas e adimplir com suas obrigações no longo prazo. Neste caso, a reestruturação de dívidas se torna ferramenta importante para reestabelecer a saúde financeira da organização, possibilitando um “fôlego” para o planejamento e desenvolvimento de negócios, sempre aliada a uma análise crítica de causas e a um plano de ação tempestivo para sanar o problema causador do desencaixe financeiro.

A reestruturação de dívidas é a condução planejada da negociação com credores, que podem ser instituições financeiras, cooperativas de crédito, fornecedores, prestadores de serviço, governos, entre outros. Os bancos geralmente são críticos no aporte financeiro para o desenvolvimento de negócios, e, nesse caso, na renegociação de dívidas; sendo, muitas vezes, credores representativos e também a fonte necessária para disponibilizar crédito para restabelecer o fluxo de caixa, em troca de uma remuneração condizente com os riscos da operação e de garantias. Sendo inevitável lidar com eles, torna-se muito mais fácil alcançar boas negociações partindo do entendimento dos mecanismos de análise de crédito dos bancos e da compreensão sobre os impactos da dívida, que está sendo renegociada, nos indicadores e metas internos do banco credor.

Para análise de riscos, os bancos utilizam um mecanismo conhecido como “rating”, que classifica as operações de crédito concedidas à cada empresa em diferentes níveis. A classificação é realizada com análises qualitativas e quantitativas, levando em conta demonstrações contábeis, capacidade de pagamento e endividamento do devedor e de seu garantidor, suficiência e liquidez de garantias fiduciárias, movimentos de mercado, aspectos jurídicos entre outras variáveis. O “rating” não só influencia a taxa de juros da operação, como também é utilizado para determinar a concessão ou não do crédito e o custo que o banco terá com as provisões de perda obrigatórias junto ao Banco Central. Com isto, torna-se ainda mais relevante conhecer as regras adotadas pelo banco, para a determinação do rating, e executar um plano de ações estratégicas, para obter a melhora da classificação e permitir a condução das negociações com mais assertividade. Além do rating, outros fatores e estratégias de negociação podem aumentar as chances de sucesso da transação e da efetiva recuperação de um fluxo de caixa saudável para o negócio; muitas vezes, uma assessoria experiente pode ajudar a empresa a identificar estes caminhos e a utilizar as ferramentas mais adequadas para cada caso.

Embora o endividamento seja visto por vezes como algo negativo, ele é fundamental para alavancar o desenvolvimento de uma organização empresarial; quando planejado de maneira estratégica, pode gerar vantagens competitivas e acelerar o crescimento. Em contrapartida, quando a dívida é muito alta ou mal planejada, alguma instabilidade nos negócios pode gerar o desequilíbrio de caixa, dificuldades em cumprir com obrigações e perda de competitividade, o que torna necessária a reestruturação de dívidas.

 

Por Gabriel Duarte